Pois bem, o Cadernos do Automobilismo mudou mais uma vez seu header. Nada muito diferente do último, mas como não faço isso frequentemente, acho digno gastar algumas linhas.
Completamente ignorante em design, usei um software simples e eficiente que um atencioso colaborador me indicou, o Paint.Net. Por isso o acabamento está mais primoroso, ou menos horroroso que o anterior. Fiz questão de deixá-lo menor para que o leitor não precise descer a barra de rolagem para encontrar o conteúdo.
A escolha da imagem de fundo é fácil de explicar: em preto e branco, para que não "grite" demais aos olhos, e antiga, para que os direitos autorais já tenham expirado.
Ainda estou ponderando se devo publicar aqui a foto original ou não (recuar demais na história é uma forma muito fácil de recuar também na audiência). Se o fizer, será apenas quando trocar novamente o header. Mas não se preocupem, já os tenho prontos aos montes - pretendo rodá-los com certa periodicidade daqui para a frente.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
McLaren-Mercedes, 1995-2009

A última corrida da parceria McLaren-Mercedes pode ser definida nos seguintes termos: Lewis Hamilton largou da pole, abriu uma boa diferença para o segundo colocado e abandonou em seguida. Difícil imaginar um epitáfio melhor.
Ambas continuarão aparecendo juntas na geração de caracteres das transmissões, já que os alemães permanecem como fornecedores de motores de Woking. A diferença é que agora a Mercedes não possui mais ações da McLaren Group, a relação de parceria foi desfeita.
Assim como a corrida de Hamilton há algumas semanas, fica a sensação do que poderia ter sido e não foi, de que terminou sem a missão cumprida. Talvez os números ajudem a explicar: Do GP do Brasil de 1995 (o início da parceria) até Abu Dhabi, A McLaren foi a segunda equipe mais vencedora, com 60 triunfos (obviamente apenas atrás da Ferrari, com 106). Foi também a segunda em pole positions, marcando 66 delas (Ferrari, nesse período, em primeiro lugar com 90).
No mais, em 15 temporadas a equipe conquistou não mais que três títulos de pilotos e um único de construtores, há mais de uma década.
Já havia escrito sobre o tema no ano passado, mas agora, com os números fechados, o retrospecto é ainda mais desolador. A McLaren já foi parceira da Porsche e da Honda, e em ambos os casos a equipe de Woking acumulou muito mais títulos em muito menos temporadas. Cabe ressaltar que a cooperação entre o construtor e as marcas se limitava à esfera técnica – ao contrário da Mercedes, que por sua vez era dona da McLaren. Por outro lado, nos anos 80 e início dos 90 não era comum que uma multinacional comprasse para si participação acionária em uma equipe – manobra que e tornou regra posteriormente.
Nos dois momentos em que a Mercedes havia participado de competições de Grand Prix, seu domínio havia sido quase total: tanto nos anos 1930 quanto em 1954 e 1955. Seu retorno aos monopostos, a partir dos anos 90, foi gradual; primeiro comprando a Ilmor, posteriormente juntando-se à Sauber (sua parceira nas provas de turismo) para entrar na Fórmula 1, para desistir em seguida e recomeçar com a McLaren.
Separadas, McLaren e Mercedes mantinham cada uma um retrospecto muito mais vitorioso do que unidas. Juntas, tudo que resta é o gosto amargo de ter ficado aquém. Um fracasso que os números quase não são capazes de demonstrar.
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terça-feira, 17 de novembro de 2009
Indie Rocks – Scuderia Centro Sud, GP de Pescara, 1957

Mais uma vez Jo Bonnier, numa das poucas provas em que alinhou como piloto de Guglielmo Dei, dono de uma rede de concessionárias Maserati que atuava nas regiões central e sul da Itália – daí o nome de sua equipe, Scuderia Centro Sud.
Apesar de não ter obtido nenhuma vitória, a equipe de Dei é considerada uma das independentes mais bem sucedidas, tendo se mantido de 1956 a 1963 na Fórmula 1 – a maior parte do tempo atrelada de uma forma ou de outra à Maserati.
Infelizmente não tenho mais muitas fotos dos carros da Centro Sud correndo. Se você tiver alguma colaboração em relação a esta ou qualquer outra equipe “indie”, sinta-se à vontade para mandar para o email ao lado. Tudo será devidamente creditado, além de muito bem-vindo.
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sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Fangio na BRM?

Afinal, todos sabemos que o pentacampeão já correu na Fórmula 1 de Alfa Romeo, Maserati, Mercedes, Ferrari e BRM. BRM??
Sim, como mostra a foto! A equipe britânica de Bourne, Lincolnshire forneceu o cockpit para o argentino nos anos de 1952 e 53, bem como para seu compatriota José Froilan Gonzalez. Ocorre que neste mesmo biênio o Campeonato Mundial não foi disputado com carros de Fórmula 1, mas e Fórmula 2, devido a uma crise interna do esporte. Dessa forma, a participação de Fangio com este carro restringiu-se a eventos que não contavam pontos, e geralmente menores.
Inclusive, a postura dos dirigentes da BRM no início de 52, ao contratarem sua dupla de estrelas, é apontada como o estopim da decisão da CSI de abandonar os carros de Fórmula 1 naquele ano - uma história complicada que vai ficar para depois.
A propósito da foto: ela mostra Fangio durante o GP de Albi de 1953, em que foram aceitas inscrições tanto de F1 quanto de F2. Não se engane quanto ao cara de bandeira quadriculada na mão, pois o argentino não foi muito longe na prova. Abandonou após nove voltas, com problemas nos freios. Aliás, este modelo, o BRM P15, se provou uma roubada, em que pese (e pesava mesmo) o motor V16 que, acreditava-se o mais potente da época, de mais ou menos 600 hp. Sua grande virtude, no entanto, eram arrancadas curtas.
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Juan Manuel Fangio
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Do que esqueci em 2009 - A primeira de Juan Manuel Fangio

Levei quase 400 posts para escrever este nome aqui: Juan Manuel Fangio. Você nunca o leu neste blog, nunca. Por que demorei tanto? Talvez porque seja difícil encontrar algo que jamais tenham falado de um dos mais talentosos pilotos que algum dia sentaram num carro de corrida.
No último dia 3 de abril, perdi uma dessas raríssimas oportunidades, pois a data marcou os 60 anos do dia em que o mundo ouviu falar pela primeira vez "Fangio".
Ainda não havia um campeonato organizado em 1949, e a maior parte das corridas ocorriam nas ruas das cidades europeias, mesmo os eventos de maior relevância. Um destes era o GP de San Remo, a primeira grande prova do ano. Ainda sob o impacto da ausência de Jean-Pierre Wimille, os olhares convergiram para uma das muitas Maserati 4CLT alinhadas, inscrita pelo Automovil Club Argentina e sem a pintura vermelha.
Desde a largada, na Corso Regina Margherita, Fangio dominou a prova de 90 voltas (dividida em duas baterias) pelo sinuoso traçado de 3,33km e vencendo sua primeira corrida de Fórmula 1 na Europa. O triunfo se repetiu em outras duas grandes épreuves naquele ano, nos GPs de Pau e de Albi. Dentre as corridas de menor relevância, o argentino também obteve êxito nos GPs do Roussillon e de Marselha - todos os quatro na França, e este último a bordo de um Simca-Gordini.
E desde então nunca mais o mundo esqueceu El Chueco.
No último dia 3 de abril, perdi uma dessas raríssimas oportunidades, pois a data marcou os 60 anos do dia em que o mundo ouviu falar pela primeira vez "Fangio".
Ainda não havia um campeonato organizado em 1949, e a maior parte das corridas ocorriam nas ruas das cidades europeias, mesmo os eventos de maior relevância. Um destes era o GP de San Remo, a primeira grande prova do ano. Ainda sob o impacto da ausência de Jean-Pierre Wimille, os olhares convergiram para uma das muitas Maserati 4CLT alinhadas, inscrita pelo Automovil Club Argentina e sem a pintura vermelha.
Desde a largada, na Corso Regina Margherita, Fangio dominou a prova de 90 voltas (dividida em duas baterias) pelo sinuoso traçado de 3,33km e vencendo sua primeira corrida de Fórmula 1 na Europa. O triunfo se repetiu em outras duas grandes épreuves naquele ano, nos GPs de Pau e de Albi. Dentre as corridas de menor relevância, o argentino também obteve êxito nos GPs do Roussillon e de Marselha - todos os quatro na França, e este último a bordo de um Simca-Gordini.
E desde então nunca mais o mundo esqueceu El Chueco.
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segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Através do Muro de Berlim
Na noite do dia 9 de novembro de 1989, uma cidade dividida em duas se reencontrava pela primeira vez após 28 anos. Após protestos que chegaram a levar até um milhão de pessoas às ruas, o governo da DDR (RDA em português, conhecida como Alemanha Oriental) decidiu recuar e arrefecer o controle na fronteira com a Berlim Ocidental. Um anúncio confuso na televisão, no entanto, fez a população se deslocar em massa em direção ao muro, pegando a guarda de surpresa e forçando as autoridades a liberarem a passagem.Hoje, exatamente, vinte anos depois, o mundo mudou a ponto de nos parecer até inverossímeis o mundo unipartidário daquele Leste Europeu e as relações que este mantinha com o Ocidente. Muitas destas relações passaram pelo automobilismo e observá-las, hoje, é a forma que encontro de prestar contas à história.
Hungaroring e AVUSO movimento de protestos que culminou na derrubada do muro, e posteriormente na reunificação alemã, começou quando, em 23 de agosto daquele ano, a Hungria decidiu abrir sua fronteira com a Áustria, detonando assim um processo de imigração de cidadãos da RDA por aquela rota. Após duas décadas, notamos que a Hungria era o lugar mais provável para o rompimento do dique, visto o desprezo com que os magiares sempre trataram o Pacto de Varsóvia (algumas vezes com funestas consequências, vide a marcha de tanques soviéticos por Budapeste em 1956).
Também não nos espanta, portanto, que a Hungria tenha aceitado de prontidão realizar um GP de Fórmula 1 já em 1986 – na época, o país já manifestava sua vontade de participar da roda gigante do capitalismo. Foi construída Hungaroring, uma pista na medida exata para as câmeras de tv ocidentais.
Não foi a primeira vez, porém, que os cidadãos do Leste puderam ver os carros da Fórmula 1 com seus próprios olhos. Em 1959, o campeonato mundial abandonou temporariamente Nürburgring para disputar o GP da Alemanha (note, o GP nunca se chamou “GP da Alemanha Ocidental”, este dado será valioso mais à frente) em AVUS, próximo a Berlim. Na época, não havia o Muro dividindo a cidade, que seria erguido dois anos depois – de fato, após a Guerra a extremidade Sul do circuito foi cortada, pois chegava muito perto do setor soviético.Curiosamente, a curva Norte de AVUS, inclinada (foto), era frequentemente chamada de “muro da morte”.
Tal feito obtido pela Fórmula 1, de atravessar a Cortina de Ferro, é no entanto risível perto da facilidade com que as motos costumavam correr do outro lado do bloco.
O comunismo e as duas rodasHá uma explicação racional para isso: no Bloco socialista, era mais fácil obter uma moto para o transporte individual do que um carro. Além disso, havia locais tradicionais para corridas de duas rodas.
A Ioguslávia, por exemplo, recebeu o campeonato mundial de motociclismo de 1968 a 1990, a princípio em Opatija e depois em Rijeka (atualmente as duas cidades fazem parte da Croácia).
Milan Kundera
Mas uma das etapas mais fascinantes do Leste foi a da Tchecoslováquia, disputada em Brno (foto acima). Hoje a cidade dispõe de um autódromo permanente onde a MotoGP corre a etapa da República Tcheca (Tchecoslováquia, entre 1987 e 1993). Porém, as estradas próximas à capital da Morávia serviram como pista para carros e motos desde os tempos de Masaryk.
A grande mobilização popular para assistir Giacomo Agostini (foto), Mike Hailwood, Phil Read e outros pelas estradas tchecas nos anos 60 mereceu, inclusive, uma menção literária. Foi no romance de estreia do celebrado autor Milan Kundera, intitulado “A brincadeira” (leitura recomendável). No livro, o personagem Jaroslav é um habitante do interior da Morávia muito ligado às tradições da região – principalmente à música – que tenta legar seu conhecimento ao filho. Este, no entanto, prefere ir com os amigos “assistir às corridas de moto em Brno”, simbolizando o colapso de uma identidade regional.
Grosser Preis von DeutschlandMas as motos foram além, não se limitando apenas aos Estados-satélite do Bloco, como mantendo também, por doze temporadas, um GP da própria Alemanha Oriental (acima, Agostini).
Tudo começa antes da Segunda Guerra, quando as provas de motocicleta mais importantes da Alemanha encontram uma sede estável: algumas estradas no entorno da vila de Hohenstein-Ernstthal, passando inclusive dentro desta. Mais tarde, em 1937, a pista ganhou o nome da região em que se localizava, a Saxônia – Sachsenring, portanto.
(Hoje as motos continuam a correr na cidade de Hohenstein-Ernstthal, numa pista chamada Sachsenring. Mas a atual foi construída nos anos 1990, após a reunificação, e é obviamente uma versão menor e mais travada que a original).
Após a divisão do país, a Saxônia foi alocada no bloco comunista, na RDA. A princípio, nem ela nem a RFA poderiam inscrever pilotos ou etapas no mundial da FIM, mas esta última rompeu a proibição primeiro, devido a um ciclo de desenvolvimento da indústria (especialmente com a DKW e NSU) e o interesse popular nos anos 1950. A partir daí o GP da Alemanha foi sempre promovido na porção Ocidental, algumas vezes na popular Solitude, na nem tanto Hockenheim ou às moscas em Nürburgring.
Grosser Preis der DDR
Na década seguinte um fugaz brilho da indústria de motos da RDA (a fabricante MZ obteve notório avanço nos motores de dois tempos) animou o Partido a organizar uma prova, como propaganda para o Ocidente. E assim a antiga Sachsenring voltou aos seus dias mais gloriosos, agora como palco do GP da RDA.
Ela compôs o campeonato mundial entre 1961 e 1972. Como é possível notar na imagem acima, a presença dos espectadores era maciça. Ironicamente, eles próprios desempenharam um papel fundamental para que a corrida acabasse.
A história ocorreu em 1971 (abaixo, a largada da prova 350cc, naquele ano), ao fim da corrida das 250cc. O vencedor foi Dieter Braun, piloto alemão – da Alemanha Ocidental. A convenção esportiva manda que o hino do primeiro colocado seja entoado, o que de fato aconteceu. Mas a torcida presente não se limitou apenas a respeitar, como cantou em coro, a plenos pulmões, o Deutschlandlied.As autoridades socialistas, ridicularizadas, reagiram de imediato. No ano seguinte, a fim de evitar problemas semelhantes, restringiram a participação no GP a ‘pilotos convidados’. E de 1973 em diante, apenas cidadãos do Bloco socialista poderiam se inscrever, o que acarretou o fim de GPs da RDA no campeonato mundial.
Nada mais prosaico. Nada mais característico do século XX.
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sábado, 7 de novembro de 2009
Cartazes - GP da Austrália 1993
Dentre os muitos marcos históricos que o GP da Austrália de 1993 nos deixou, o cartaz de divulgação certamente não é um deles: uma colagem de fotos sem sentido, num formato padronizado, uma avalanche de informação confusa e uma atenção mínima à paleta de cores.Mesmo assim fica o registro. Ayrton Senna venceu lá a última prova, até o momento, sem reabastecimento. O GP seguinte caberia a Michael Schumacher, em Interlagos, em 1994, o primeiro em dez temporadas com reposição de combustível.
O destino tem das suas eloquências.
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sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Do que esqueci em 2009 - A morte de Wimille

Com o fim da temporada, posso finalmente me dedicar a corrigir alguns dos erros de percurso enfrentados durante o ano: neste caso, registrar algumas efemérides que me passaram despercebidas e/ou que me ocorreram tarde demais.
A primeira delas, como não poderia deixar de ser, são os 60 anos da morte de Jean-Pierre Wimille. No dia 28 de janeiro, o francês treinava nas contorcidas ruas do bairro de Palermo, em Buenos Aires, para a primeira etapa de uma série mais ou menos regular de corridas de Fórmula Libre que ocorriam no Brasil e na Argentina. A prova não poderia ter um título menos personalista, como convém ao populismo latino-americano: Gran Premio del General Juan Perón y de la Ciudad de Buenos Aires (por motivos históricos, pode-se dizer apenas "GP de Buenos Aires").
Não se sabe o que ocasionou a batida do pequeno Simca-Gordini. Especulou-se que poderia ter sido a luz do sol que ofuscou a vista do pioto, ou sua tentativa de desviar de torcedores no traçado. O bólido francês bateu contra uma proteção da pista, voou, atingiu árvores. Foi a primeira corrida em que Wimille, 41, usou um capacete - incapaz, no entanto, de salvar sua vida. Alguns relatos dizem que, dentro da ambulância o piloto ainda conseguiu perguntar "o que aconteceu?", mas chegou sem vida ao hospital.
Jean-Pierre Wimille é considerado um dos melhores pilotos de sua geração, e regularmente chamado de "o piloto que venceria o primeiro campeonato mundial". Não à toa: era o primeiro piloto da Alfa Romeo, tendo conquistado o posto no braço, ao provar-se sistematicamente mais veloz que Giuseppe Farina.
O automobilismo deu ao francês o fim que a Guerra não foi capaz de lhe dar. Convidado pelo também piloto Robert Benoist, participou ativamente da Resistência contra a ocupação nazista, obtendo destaque na clandestinidade. Benoist não teve a mesma sorte.
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Palermo
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Toyota, a equipe corporativa

Mesmo dentre os que acompanham a Fórmula 1 de perto, a Toyota se afasta da Fórmula 1 quase sem deixar lembranças. No meu caso, acho que associarei a equipe ao GP do Japão de 2007.
Naquele ano o evento se deslocou para Fuji, propriedade da Toyota, por vontade desta. A imensa maioria da torcida consistia de fãs da equipe branca e vermelha. A explicação era simples: responsáveis pelo autódromo anunciaram que bandeiras e cartazes de apoio a equipes e pilotos seriam proibidos nas arquibancadas. No entanto, a interdição não se aplicou à proprietária.
Jornalistas, habitués do paddock e mecânicos, mesmo os que trabalhavam há mais de três décadas, jamais haviam visto uma corrida sem bandeiras da Ferrari ao redor. O estranhamento foi generalizado e a imprensa, principalmente a japonesa, criticou severamente os organizadores.
Os promotores, por sua vez, trataram de desmentir a informação e creditaram o engano a um problema de comunicação entre os organizadores do evento e os responsáveis pelo autódromo, mas tal versão não foi muito bem comprada pela mídia.
A confusão talvez seja bastante reveladora da posição que a Toyota ocupava na Fórmula 1: a equipe de uma empresa, mais do que qualquer outra. A Renault, por exemplo mantinha seu departamento de competições em Enstone, ex-Benetton, longe da fábrica. O mesmo se podia dizer da BMW Sauber, em Hinwill. A Mercedes se esconde atrás da McLaren, e agora da Brawn.
Já os executivos japoneses, desde 2002, sempre acompanharam perto demais o que se passava no QG da equipe, em Colônia. As decisões passavam por muitas instâncias administrativas, por pessoas distantes dos autódromos. Mais do que a equipe de uma empresa, era uma equipe corporativa.
Uma equipe da era das grandes corporações, do seu linguajar próprio e discurso sobre vitória a qualquer custo, sobre otimização, kaizen, atingir metas. Um discurso que tornou a Fórmula 1 sedutora como plataforma de marketing, principalmente se o negócio da empresa é construir carros.
A Toyota preparava-se para estrear, fazia testes e mais testes em pistas europeias com Mika Salo em 2001, quando veio à tona o escândalo da Enron. A este se sucederam vários outros casos de fraudes no balanço de grandes companhias, o estouro da bolha “pontocom” – alguns analistas dizem que a agressividade do discurso neoliberal foi freado, ao menos em parte, desde então. A Toyota estreou como equipe, em 2002, já na época errada.
Da pior maneira possível ela descobriu que um talão de cheques não ganha corridas. Único orçamento maior que o da Ferrari, amargou oito temporadas sem uma vitória sequer.
Outra bolha, outra crise, esta ainda pior, e os executivos em Tóquio não poderiam tomar outra decisão mais corporativa – encerrar suas operações na Fórmula 1. Nada mais condizente.
Foto: O sol se põe atrás de Trulli durante o GP de Abu Dhabi. A equipe do sol nascente faz a sua última corrida.
Naquele ano o evento se deslocou para Fuji, propriedade da Toyota, por vontade desta. A imensa maioria da torcida consistia de fãs da equipe branca e vermelha. A explicação era simples: responsáveis pelo autódromo anunciaram que bandeiras e cartazes de apoio a equipes e pilotos seriam proibidos nas arquibancadas. No entanto, a interdição não se aplicou à proprietária.
Jornalistas, habitués do paddock e mecânicos, mesmo os que trabalhavam há mais de três décadas, jamais haviam visto uma corrida sem bandeiras da Ferrari ao redor. O estranhamento foi generalizado e a imprensa, principalmente a japonesa, criticou severamente os organizadores.
Os promotores, por sua vez, trataram de desmentir a informação e creditaram o engano a um problema de comunicação entre os organizadores do evento e os responsáveis pelo autódromo, mas tal versão não foi muito bem comprada pela mídia.
A confusão talvez seja bastante reveladora da posição que a Toyota ocupava na Fórmula 1: a equipe de uma empresa, mais do que qualquer outra. A Renault, por exemplo mantinha seu departamento de competições em Enstone, ex-Benetton, longe da fábrica. O mesmo se podia dizer da BMW Sauber, em Hinwill. A Mercedes se esconde atrás da McLaren, e agora da Brawn.
Já os executivos japoneses, desde 2002, sempre acompanharam perto demais o que se passava no QG da equipe, em Colônia. As decisões passavam por muitas instâncias administrativas, por pessoas distantes dos autódromos. Mais do que a equipe de uma empresa, era uma equipe corporativa.
Uma equipe da era das grandes corporações, do seu linguajar próprio e discurso sobre vitória a qualquer custo, sobre otimização, kaizen, atingir metas. Um discurso que tornou a Fórmula 1 sedutora como plataforma de marketing, principalmente se o negócio da empresa é construir carros.
A Toyota preparava-se para estrear, fazia testes e mais testes em pistas europeias com Mika Salo em 2001, quando veio à tona o escândalo da Enron. A este se sucederam vários outros casos de fraudes no balanço de grandes companhias, o estouro da bolha “pontocom” – alguns analistas dizem que a agressividade do discurso neoliberal foi freado, ao menos em parte, desde então. A Toyota estreou como equipe, em 2002, já na época errada.
Da pior maneira possível ela descobriu que um talão de cheques não ganha corridas. Único orçamento maior que o da Ferrari, amargou oito temporadas sem uma vitória sequer.
Outra bolha, outra crise, esta ainda pior, e os executivos em Tóquio não poderiam tomar outra decisão mais corporativa – encerrar suas operações na Fórmula 1. Nada mais condizente.
Foto: O sol se põe atrás de Trulli durante o GP de Abu Dhabi. A equipe do sol nascente faz a sua última corrida.
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